O governo federal quitou R$ 17,5 bilhões em emendas parlamentares que precisavam ser pagas até o final do mês de junho, conforme estabelecido na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O valor corresponde a 82,3% de todas as emendas de 2026 pagas pelo governo até agora, que somam R$ 21,5 bilhões.
O calendário aprovado na LDO prevê o pagamento de 65% das emendas individuais e de bancada no primeiro semestre, destinadas a fundos de saúde, assistência social e transferências especiais. Na última semana, o governo concentrou os pagamentos para cumprir o prazo.
Do total pago, 70,8% foram para a saúde, 25,9% para as chamadas “emendas PIX” e 3,3% para assistência social. O governo acabou pagando R$ 434 milhões a mais do que o obrigatório em emendas de saúde e R$ 133 milhões extras para assistência social.
Especialistas apontam que o calendário de emendas cria um desequilíbrio nas eleições de 2026. Para Eduardo Grin, cientista político da FGV, o envio de verbas para redutos eleitorais antecipa a campanha e dá exposição pública aos parlamentares.
Já Guilherme France, da Transparência Internacional Brasil, alerta que a rigidez no pagamento das emendas obriga o governo a contingenciar outras áreas, como educação, gerando desequilíbrio na execução orçamentária.



