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Emendas parlamentares revelam desigualdade na distribuição de recursos entre cidades mineiras

✍️ Redação Microfone Aberto 📅 Publicado: 29/05/2026 ⏱️ Tempo de leitura: 3 min

Levantamento aponta diferença bilionária entre municípios e regiões de Minas Gerais; Vale do Rio Doce lidera repasses per capita enquanto Triângulo Mineiro aparece entre os menos beneficiados

Um levantamento com base em dados da Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais (Segov) revelou uma forte desigualdade na distribuição de emendas parlamentares entre os municípios mineiros. Enquanto algumas cidades receberam milhares de reais por habitante, outras praticamente não tiveram acesso aos recursos destinados por deputados estaduais.

Segundo os dados analisados, o município de Mathias Lobato, no Vale do Rio Doce, lidera o ranking estadual de recebimento proporcional de emendas parlamentares. Considerando o valor dividido pela população, cada morador teria direito a cerca de R$ 6,4 mil. Na sequência aparecem Nova Belém e São José da Safira, também localizadas na mesma região.

O estudo considera os repasses realizados nos anos de 2024 e 2025, dentro da atual legislatura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Na outra ponta da lista estão municípios que receberam valores considerados irrisórios. Congonhas, na Região Central do estado, aparece como a cidade com menor valor proporcional, com apenas R$ 0,12 por habitante. Também figuram entre os menores índices cidades como Capitão Enéas, Claro dos Poções, Rio Casca e São Gonçalo do Rio Abaixo.

O levantamento ainda mostra que o Vale do Rio Doce concentra as sete cidades com maiores valores per capita em todo o estado, reforçando a concentração regional dos recursos públicos.

Já o Triângulo Mineiro voltou a aparecer entre as regiões menos contempladas pelas emendas parlamentares estaduais. Segundo os números divulgados, a média de recursos destinados à região ficou em aproximadamente R$ 56 por habitante, valor muito abaixo dos R$ 196 registrados no Vale do Rio Doce.

Em valores absolutos, Belo Horizonte lidera o recebimento de emendas parlamentares, com mais de R$ 113 milhões destinados durante o período analisado. Na sequência aparecem Governador Valadares, Montes Claros, Juiz de Fora e Sete Lagoas.

A reportagem também destaca que quatro municípios mineiros não chegaram sequer à marca de R$ 100 mil em recursos recebidos por meio de emendas parlamentares estaduais.

Os dados utilizados no levantamento consideram apenas valores efetivamente pagos pelo Governo de Minas Gerais, incluindo emendas individuais, emendas Pix e recursos destinados por blocos parlamentares.

Especialistas apontam que, apesar das emendas serem um instrumento legal previsto na Lei Orçamentária Anual, a distribuição desigual levanta questionamentos sobre critérios técnicos, influência política e concentração de investimentos em determinadas bases eleitorais.

A tendência histórica é que deputados direcionem recursos principalmente para cidades onde possuem maior apoio político, fortalecendo redutos eleitorais e ampliando sua presença regional.

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Tassio Alves Rezende

Tassio Alves Rezende

Jornalista responsável pelas reportagens, entrevistas, coberturas especiais e produção de conteúdo jornalístico do Microfone Aberto.

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