A safra de cana-de-açúcar em Minas Gerais deve apresentar recuperação, mas o custo dos fertilizantes virou ponto de atenção para produtores e usinas. A preocupação é que a alta dos insumos reduza investimentos no campo e pressione o desempenho das próximas colheitas.
O alerta interessa diretamente ao Triângulo Mineiro e ao Pontal, regiões em que a cadeia sucroenergética movimenta empregos, transporte, serviços agrícolas e arrecadação municipal. A cana está entre as atividades com maior presença econômica no interior mineiro.
Representantes do setor avaliam que a recuperação produtiva pode aliviar parte das perdas recentes, mas ainda não elimina o risco de encarecimento operacional. Fertilizantes caros tendem a afetar decisões sobre adubação, renovação de canaviais e tratos culturais.
Custo pode afetar próximas safras
Quando o produtor reduz manejo para compensar despesas, o efeito nem sempre aparece imediatamente. A produtividade pode sentir o impacto em ciclos seguintes, o que exige planejamento financeiro e atenção às condições de mercado.
O setor também acompanha preço de combustíveis, câmbio, demanda por açúcar e etanol e disponibilidade de crédito. Esses fatores influenciam desde a compra de insumos até o ritmo de moagem nas unidades industriais.
Para municípios dependentes da atividade, a evolução da safra tem reflexos além das fazendas e usinas. Comércio local, oficinas, transportadoras, prestadores de serviço e trabalhadores temporários acompanham o comportamento do setor.
A expectativa de recuperação, portanto, vem acompanhada de cautela. O desafio será sustentar produtividade sem comprometer os investimentos necessários para manter o ciclo seguinte em condições competitivas.


