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Investigação do governo americano prevê tarifas extras de até 12,5% sobre produtos importados e pode afetar comércio internacional

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (2) a proposta de aplicação de novas tarifas comerciais contra 60 países, incluindo o Brasil, sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas e processos de importação.

A medida foi divulgada após conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial americana.

Segundo o relatório, os países investigados teriam apresentado falhas na fiscalização e proibição da entrada de produtos fabricados com utilização de trabalho forçado, prática considerada pelo governo americano como uma forma de concorrência desleal no mercado internacional.

Como resposta, os Estados Unidos propuseram a criação de tarifas adicionais que poderão variar entre 10% e 12,5% sobre mercadorias importadas desses países.

A investigação foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, legislação utilizada pelos Estados Unidos para apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais à economia americana.

O mesmo instrumento jurídico já vinha sendo utilizado pelo governo americano em discussões envolvendo uma possível tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

De acordo com o USTR, a prática de trabalho forçado compromete as condições de competitividade das empresas e trabalhadores norte-americanos, ao permitir custos de produção artificialmente reduzidos em outros países.

A medida ainda deverá passar por etapas adicionais de análise e discussão antes de eventual implementação definitiva.

Especialistas avaliam que a decisão pode ampliar tensões comerciais entre os Estados Unidos e parceiros internacionais, além de gerar impactos sobre exportações brasileiras caso as tarifas sejam efetivamente aplicadas.

O governo brasileiro ainda não divulgou posicionamento oficial detalhado sobre a inclusão do país na lista apresentada pelo órgão americano.

Nos bastidores diplomáticos, existe expectativa de abertura de negociações para evitar prejuízos ao comércio exterior brasileiro e minimizar impactos em setores exportadores.

Reajuste representa queda de quase 10% no valor do combustível e integra medidas do governo federal para conter impactos da alta internacional do petróleo

A Petrobras anunciou uma redução de R$ 0,35 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras. O novo valor entrou em vigor nesta segunda-feira (1º) em todo o país.

Com o reajuste, o preço médio do diesel tipo A comercializado nas refinarias da estatal caiu de R$ 3,65 para R$ 3,30 por litro, representando uma redução de 9,59%.

A medida faz parte das ações adotadas pelo governo federal para tentar conter os impactos da alta internacional do petróleo, agravada pelas tensões e conflitos no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã.

Segundo a Petrobras, o novo valor já considera o modelo de subsídio implementado pelo governo federal, que substituiu a antiga política de desoneração de tributos como PIS e Cofins.

Apesar da redução nas refinarias, especialistas alertam que o impacto no preço final ao consumidor pode variar de acordo com fatores como impostos estaduais, custos logísticos, margens das distribuidoras e postos de combustíveis.

Dados recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam que o diesel S-10 vinha sendo vendido, em média, a R$ 7,13 nos postos brasileiros na última semana.

O valor, embora ainda elevado, já apresenta queda em relação ao pico registrado no início de abril, quando o combustível chegou a média de R$ 7,58 por litro.

Especialistas do setor afirmam que a redução também reflete um cenário de maior produção nacional e menor necessidade de importação de combustíveis, além da queda nas cotações internacionais do petróleo nas últimas semanas.

No último sábado (30), o governo federal prorrogou medidas emergenciais relacionadas ao controle dos preços dos combustíveis, incluindo a manutenção do subsídio ao diesel e ao gás de cozinha.

O novo modelo prevê benefício total de R$ 1,47 por litro de diesel. Parte do valor terá validade até dezembro, enquanto outra parcela temporária foi criada para compensar o fim da desoneração tributária federal.

Segundo o governo, o objetivo é garantir que a redução dos custos chegue efetivamente ao consumidor final e minimize os impactos econômicos causados pela volatilidade do mercado internacional de petróleo.

A recente instabilidade nos preços globais do combustível foi impulsionada principalmente pelos conflitos geopolíticos envolvendo o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, considerado uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.

Mudança na oferta ocorreu após identificação de bloqueios judiciais sobre ações do Estado; operação pode movimentar até R$ 9 bilhões

O Governo de Minas Gerais anunciou alterações na oferta pública de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e definiu oficialmente o preço mínimo de R$ 47,23 por ação para a venda dos papéis da estatal.

A atualização foi divulgada nesta quinta-feira (28), após o Estado identificar bloqueios judiciais envolvendo parte das ações que seriam ofertadas ao mercado. Segundo os documentos divulgados, cerca de 46 mil ações de titularidade do governo estadual estão judicialmente bloqueadas.

Com isso, a quantidade máxima de ações adicionais disponíveis para negociação sofreu redução. A mudança também marca a primeira vez que o Palácio Tiradentes revela publicamente o valor mínimo exigido para a conclusão da operação, que pode movimentar aproximadamente R$ 9 bilhões.

O processo de privatização da Copasa é coordenado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico em conjunto com instituições financeiras responsáveis pela oferta no mercado.

Dois grupos empresariais já demonstraram interesse na aquisição de parte da companhia: um consórcio ligado à Aegea e o grupo Equatorial. Ambos disputam a posição de investidor de referência da operação, com possibilidade de adquirir até 30% das ações da estatal.

Com a atualização dos documentos, os interessados terão novo prazo, até o dia 3 de junho, para confirmar ou desistir da participação no processo. Outros investidores também poderão apresentar propostas.

De acordo com o governo mineiro, caso o valor final das ações fique abaixo do piso estabelecido de R$ 47,23 por papel, toda a operação será automaticamente cancelada.

O Estado pretende vender inicialmente mais de 171 milhões de ações ordinárias da Copasa. Como se trata de uma oferta secundária, os recursos arrecadados irão diretamente para os cofres do governo estadual e não para a empresa.

A modelagem da privatização prevê ainda que o governo mantenha cerca de 5% das ações da companhia, enquanto parte dos papéis será disponibilizada ao mercado para investidores privados.

Os candidatos ao posto de investidor de referência precisaram apresentar garantias financeiras robustas, incluindo cartas de fiança superiores a R$ 7 bilhões, além de comprovações de capacidade técnica e atuação prévia no setor de infraestrutura.

O cronograma prevê que o preço final das ações seja definido em 10 de junho, após o processo de coleta de intenções de investimento conhecido como “bookbuilding”. O início das negociações na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) está previsto para 15 de junho.

A privatização da Copasa integra o plano de desestatização do governo de Minas Gerais, iniciado em 2024, com foco na redução da participação estatal em empresas públicas e atração de investimentos privados para o setor de saneamento.

A proposta segue gerando debates políticos e econômicos em Minas Gerais, principalmente sobre os impactos da privatização nos serviços prestados à população e na política tarifária da companhia.