Governo de Minas altera privatização da Copasa e define preço mínimo de R$ 47,23 por ação
Mudança na oferta ocorreu após identificação de bloqueios judiciais sobre ações do Estado; operação pode movimentar até R$ 9 bilhões
O Governo de Minas Gerais anunciou alterações na oferta pública de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e definiu oficialmente o preço mínimo de R$ 47,23 por ação para a venda dos papéis da estatal.
A atualização foi divulgada nesta quinta-feira (28), após o Estado identificar bloqueios judiciais envolvendo parte das ações que seriam ofertadas ao mercado. Segundo os documentos divulgados, cerca de 46 mil ações de titularidade do governo estadual estão judicialmente bloqueadas.
Com isso, a quantidade máxima de ações adicionais disponíveis para negociação sofreu redução. A mudança também marca a primeira vez que o Palácio Tiradentes revela publicamente o valor mínimo exigido para a conclusão da operação, que pode movimentar aproximadamente R$ 9 bilhões.
O processo de privatização da Copasa é coordenado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico em conjunto com instituições financeiras responsáveis pela oferta no mercado.
Dois grupos empresariais já demonstraram interesse na aquisição de parte da companhia: um consórcio ligado à Aegea e o grupo Equatorial. Ambos disputam a posição de investidor de referência da operação, com possibilidade de adquirir até 30% das ações da estatal.
Com a atualização dos documentos, os interessados terão novo prazo, até o dia 3 de junho, para confirmar ou desistir da participação no processo. Outros investidores também poderão apresentar propostas.
De acordo com o governo mineiro, caso o valor final das ações fique abaixo do piso estabelecido de R$ 47,23 por papel, toda a operação será automaticamente cancelada.
O Estado pretende vender inicialmente mais de 171 milhões de ações ordinárias da Copasa. Como se trata de uma oferta secundária, os recursos arrecadados irão diretamente para os cofres do governo estadual e não para a empresa.
A modelagem da privatização prevê ainda que o governo mantenha cerca de 5% das ações da companhia, enquanto parte dos papéis será disponibilizada ao mercado para investidores privados.
Os candidatos ao posto de investidor de referência precisaram apresentar garantias financeiras robustas, incluindo cartas de fiança superiores a R$ 7 bilhões, além de comprovações de capacidade técnica e atuação prévia no setor de infraestrutura.
O cronograma prevê que o preço final das ações seja definido em 10 de junho, após o processo de coleta de intenções de investimento conhecido como “bookbuilding”. O início das negociações na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) está previsto para 15 de junho.
A privatização da Copasa integra o plano de desestatização do governo de Minas Gerais, iniciado em 2024, com foco na redução da participação estatal em empresas públicas e atração de investimentos privados para o setor de saneamento.
A proposta segue gerando debates políticos e econômicos em Minas Gerais, principalmente sobre os impactos da privatização nos serviços prestados à população e na política tarifária da companhia.
📖 Leia também
Estados Unidos propõem sobretaxa contra Brasil e outros 59 países por suposta falha no combate ao trabalho forçado📰 Matérias relacionadas
Tassio Alves Rezende
Jornalista responsável pelas reportagens, entrevistas, coberturas especiais e produção de conteúdo jornalístico do Microfone Aberto.
