Estados Unidos propõem sobretaxa contra Brasil e outros 59 países por suposta falha no combate ao trabalho forçado
Investigação do governo americano prevê tarifas extras de até 12,5% sobre produtos importados e pode afetar comércio internacional
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (2) a proposta de aplicação de novas tarifas comerciais contra 60 países, incluindo o Brasil, sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas e processos de importação.
A medida foi divulgada após conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial americana.
Segundo o relatório, os países investigados teriam apresentado falhas na fiscalização e proibição da entrada de produtos fabricados com utilização de trabalho forçado, prática considerada pelo governo americano como uma forma de concorrência desleal no mercado internacional.
Como resposta, os Estados Unidos propuseram a criação de tarifas adicionais que poderão variar entre 10% e 12,5% sobre mercadorias importadas desses países.
A investigação foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, legislação utilizada pelos Estados Unidos para apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais à economia americana.
O mesmo instrumento jurídico já vinha sendo utilizado pelo governo americano em discussões envolvendo uma possível tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros.
De acordo com o USTR, a prática de trabalho forçado compromete as condições de competitividade das empresas e trabalhadores norte-americanos, ao permitir custos de produção artificialmente reduzidos em outros países.
A medida ainda deverá passar por etapas adicionais de análise e discussão antes de eventual implementação definitiva.
Especialistas avaliam que a decisão pode ampliar tensões comerciais entre os Estados Unidos e parceiros internacionais, além de gerar impactos sobre exportações brasileiras caso as tarifas sejam efetivamente aplicadas.
O governo brasileiro ainda não divulgou posicionamento oficial detalhado sobre a inclusão do país na lista apresentada pelo órgão americano.
Nos bastidores diplomáticos, existe expectativa de abertura de negociações para evitar prejuízos ao comércio exterior brasileiro e minimizar impactos em setores exportadores.
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Tassio Alves Rezende
Jornalista responsável pelas reportagens, entrevistas, coberturas especiais e produção de conteúdo jornalístico do Microfone Aberto.
