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Banco Central interrompe cortes e mantém Selic em 13,75%; crédito segue caro

Decisão unânime do Copom contrariou parte do mercado, que esperava a sexta redução seguida. Indústria e sindicatos criticaram; nova chance de corte só em dezembro.

Por Tassio Alves Rezende • 05/11/2026 • 3 min de leitura
Banco Central interrompe cortes e mantém Selic em 13,75%; crédito segue caro

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

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O Banco Central parou de cortar os juros. Na noite desta quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. Era a primeira reunião depois de cinco reduções seguidas desde abril.

A decisão pegou parte do mercado de surpresa. A maioria das instituições financeiras esperava um corte de 0,25 ponto percentual, para 13,5%, embora algumas já apostassem na pausa.

No comunicado, o comitê afirmou que as incertezas cresceram nas últimas semanas e que as expectativas de inflação continuam acima da meta. O texto fala em “aumento significativo das incertezas” e em um quadro que exige “serenidade e cautela” na condução dos juros. O Copom não indicou o que pretende fazer nas próximas reuniões.

Por que o BC segurou os juros

Pesaram na decisão a alta do dólar, o início do El Niño, que ameaça safras e preço de alimentos, e a guerra no Oriente Médio. A inflação oficial acumulada em 12 meses passou de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta, que é de 4,5%. O alvo central é 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

As projeções também pioraram. O boletim Focus, que reúne estimativas do mercado, aponta IPCA de 5,22% no fim de 2026. Antes da guerra, a previsão era de 3,95%. O próprio Banco Central trabalha com inflação de 5,2% e crescimento de 1,8% da economia neste ano.

A Selic ficou em 15% de junho de 2025 a março de 2026, o nível mais alto em quase 20 anos. Os cortes começaram em abril e levaram a taxa até os atuais 13,75%.

Reação de indústria e trabalhadores

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) chamou a decisão de “equivocada e excessivamente conservadora”. Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, “é possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior do que o necessário”.

A Força Sindical, pelo presidente Miguel Torres, classificou a manutenção como “irracional, nefasta e desastrosa”. A presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, lembrou que juros altos também aumentam a dívida pública. “Quanto mais alta a Selic, maior também será a dívida do Estado, com menos recursos sobrando para o que importa, como saúde, educação e segurança”, disse.

O que muda no bolso

A Selic é a referência para as demais taxas do país. Com a pausa, o alívio esperado no financiamento, no crediário e no cartão fica para depois. Quem pretendia financiar carro, máquina agrícola ou reforma em Ituiutaba deve encontrar juros praticamente iguais aos de outubro nos bancos e cooperativas de crédito.

Para quem tem dinheiro aplicado em renda fixa, como CDB e Tesouro Selic, o rendimento continua alto. A alta recente do dólar foi um dos fatores que pesaram na decisão.

A próxima reunião do Copom está marcada para dezembro. Antes disso, no dia 12, o IBGE divulga o novo resultado da inflação oficial.

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Tassio Alves Rezende
Sobre o autor

Tassio Alves Rezende

Jornalista responsável do Microfone Aberto, atuando na produção de reportagens, entrevistas, coberturas especiais e desenvolvimento editorial do portal.

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