O Banco Central parou de cortar os juros. Na noite desta quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. Era a primeira reunião depois de cinco reduções seguidas desde abril.
A decisão pegou parte do mercado de surpresa. A maioria das instituições financeiras esperava um corte de 0,25 ponto percentual, para 13,5%, embora algumas já apostassem na pausa.
No comunicado, o comitê afirmou que as incertezas cresceram nas últimas semanas e que as expectativas de inflação continuam acima da meta. O texto fala em “aumento significativo das incertezas” e em um quadro que exige “serenidade e cautela” na condução dos juros. O Copom não indicou o que pretende fazer nas próximas reuniões.
Por que o BC segurou os juros
Pesaram na decisão a alta do dólar, o início do El Niño, que ameaça safras e preço de alimentos, e a guerra no Oriente Médio. A inflação oficial acumulada em 12 meses passou de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta, que é de 4,5%. O alvo central é 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.
As projeções também pioraram. O boletim Focus, que reúne estimativas do mercado, aponta IPCA de 5,22% no fim de 2026. Antes da guerra, a previsão era de 3,95%. O próprio Banco Central trabalha com inflação de 5,2% e crescimento de 1,8% da economia neste ano.
A Selic ficou em 15% de junho de 2025 a março de 2026, o nível mais alto em quase 20 anos. Os cortes começaram em abril e levaram a taxa até os atuais 13,75%.
Reação de indústria e trabalhadores
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) chamou a decisão de “equivocada e excessivamente conservadora”. Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, “é possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior do que o necessário”.
A Força Sindical, pelo presidente Miguel Torres, classificou a manutenção como “irracional, nefasta e desastrosa”. A presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, lembrou que juros altos também aumentam a dívida pública. “Quanto mais alta a Selic, maior também será a dívida do Estado, com menos recursos sobrando para o que importa, como saúde, educação e segurança”, disse.
O que muda no bolso
A Selic é a referência para as demais taxas do país. Com a pausa, o alívio esperado no financiamento, no crediário e no cartão fica para depois. Quem pretendia financiar carro, máquina agrícola ou reforma em Ituiutaba deve encontrar juros praticamente iguais aos de outubro nos bancos e cooperativas de crédito.
Para quem tem dinheiro aplicado em renda fixa, como CDB e Tesouro Selic, o rendimento continua alto. A alta recente do dólar foi um dos fatores que pesaram na decisão.
A próxima reunião do Copom está marcada para dezembro. Antes disso, no dia 12, o IBGE divulga o novo resultado da inflação oficial.




