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Soja sem proteção contra pragas perde 55% da produtividade, aponta estudo da UFV

Simulação feita pela universidade mineira mostra queda de 72 para 32 sacas por hectare sem manejo. Pesquisa também aponta efeito no preço da comida e alerta para uso de defensivos.

Por Tassio Alves Rezende • 01/11/2026 • 3 min de leitura
Soja sem proteção contra pragas perde 55% da produtividade, aponta estudo da UFV

Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

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Uma lavoura de soja que fica sem nenhum controle de pragas, doenças e plantas daninhas produz, em média, 55% menos. A conclusão é de um estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV), feito em parceria com a CropLife Brasil, associação que reúne empresas de biotecnologia, sementes e defensivos agrícolas.

Os pesquisadores simularam o efeito de quatro doenças, entre elas a ferrugem-asiática e a mancha-alvo, cinco pragas, como a mosca-branca, e nove plantas daninhas. Com o controle considerado ideal, que garante 80% de proteção, a produtividade chega a 72 sacas por hectare. Com controle parcial, cai para 52. Sem nenhum manejo, fica em 32.

Do campo para o supermercado

Na conta nacional, a perda média sem proteção seria de 121,3 milhões de toneladas, o equivalente a R$ 223,5 bilhões. Para compensar, o país precisaria plantar mais 33,5 milhões de hectares, área parecida com a de Goiás. A receita com exportações cairia de US$ 44,2 bilhões para US$ 26,6 bilhões por safra.

O impacto não ficaria só na fazenda. O estudo estima alta de até 49% no preço da soja, com reflexo no óleo, no leite, nos ovos e nas carnes de porco e de frango, e um acréscimo de cerca de 0,26 ponto percentual na inflação medida pelo IPCA.

“Essa redução da produtividade da soja, lá no produtor, acaba tendo um impacto significativo no preço da soja”, disse a pesquisadora Ana Carolyne Carvalho, da UFV.

Defensivos sob debate

A pesquisa chega num momento de discussão sobre o uso de agrotóxicos. Soja, milho e cana-de-açúcar respondem por 76% do consumo desses produtos no Brasil, segundo dados do Ipea. Entre 2003 e 2023, o uso passou de 180 mil para 800 mil toneladas por ano.

“Os defensivos químicos podem apresentar riscos à saúde humana, incluindo efeitos agudos e crônicos”, afirmou Robson Barizon, pesquisador da Embrapa. Ele defende o manejo integrado, que combina biotecnologia, melhoramento genético, bioinsumos e defensivos químicos.

O que isso significa para o Pontal

A soja e a cana dividem boa parte das lavouras do Triângulo Mineiro e do Pontal, e o plantio da nova safra está em andamento com a volta das chuvas. É nesta fase que o produtor define o manejo de pragas e doenças, uma das despesas que mais pesam no custo da lavoura.

Os números ajudam a explicar por que o preço do grão, acompanhado de perto em Ituiutaba e região, reage tanto a quebras de safra. O Microfone Aberto acompanha o mercado, como na alta da soja em Chicago puxada pela demanda chinesa.

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Tassio Alves Rezende
Sobre o autor

Tassio Alves Rezende

Jornalista responsável do Microfone Aberto, atuando na produção de reportagens, entrevistas, coberturas especiais e desenvolvimento editorial do portal.

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