O prefeito de Canápolis, Enivander Alves de Morais (PSD), o Nivander, gravou um vídeo de retratação nesta terça-feira (27) depois que áudios atribuídos a ele começaram a circular em grupos de WhatsApp da cidade. Nas gravações, feitas após o segundo turno da eleição presidencial, ele dizia que não renovaria contratos de pessoas que, na avaliação dele, deixaram de apoiar Flávio Bolsonaro (PL).
O prefeito apoiou Flávio na disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25). Nos áudios, ele se mostra contrariado com o resultado em Canápolis e afirma que a diferença de votos contra o seu candidato cresceu entre o primeiro e o segundo turno.
“Já mandei no grupo do secretariado. Cada secretário vai fazer a lista para mim, porque eu não consigo acompanhar tudo”, diz em uma das mensagens. Em outra, afirma que os contratos atuais seriam respeitados até dezembro. “Em janeiro, quem foi eleitor da oposição aí já pode procurar outro emprego.”
“Não vou demitir ninguém”
Nas gravações, Nivander fala em traição. Diz que deu oportunidade de trabalho a quem precisava e que, na hora em que precisou, essas pessoas votaram contra. “Não vou demitir ninguém. Só não vou contratar”, afirmou. Ele também usou a expressão “vou fazer um limpa” ao falar das mudanças que pretendia fazer.
Até agora não há registro de demissões, de contratos que tenham deixado de ser renovados ou de listas entregues pelos secretários. O que existe são as declarações do próprio prefeito.
No mesmo material, ele defendeu o apoio a Flávio dizendo que a vitória do candidato do PL facilitaria a busca de recursos federais para o município. “Se o Flávio Bolsonaro ganhasse, tudo seria mais fácil para Canápolis”, disse. Citou ainda os candidatos que apoiou para a Câmara dos Deputados, a Assembleia, o Senado e o governo de Minas.
Retratação nas redes
No vídeo publicado no Instagram na manhã de terça, o prefeito reconheceu que passou do limite. Atribuiu as falas ao nervosismo e à decepção com o resultado e contou que tinha tomado cerveja antes de gravar os áudios.
“Quero retratar as minhas falas e pedir desculpa, perdão a cada um que eu ofendi”, disse. “Eu tenho que respeitar o direito de vocês, da democracia.”
Na gravação, Nivander afirmou que a maioria dos eleitores de Lula em Canápolis também votou nele para prefeito e citou um percentual acima de 90%, sem dizer de onde tirou o número. “Essa vitória é do Lula, é de vocês, e não dos meus adversários políticos”, completou.
Por que o caso chama atenção
Usar o voto como critério para contratar ou dispensar trabalhadores é o tipo de conduta que órgãos de fiscalização tratam como assédio eleitoral. O tema ganhou força depois do segundo turno: o governo federal anunciou uma força-tarefa contra a violência política e a Justiça do Trabalho mandou a Meta retirar do ar publicações que incentivavam empresários a demitir funcionários por preferência política.
Em Canápolis, a dúvida dos trabalhadores contratados pela prefeitura é se a retratação vai valer na prática quando os vínculos vencerem, na virada do ano.




