O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia completou seis meses de aplicação provisória no domingo (1º) com crescimento forte justamente nos produtos que movem a economia do Pontal do Triângulo. De maio a setembro, as vendas do agronegócio brasileiro ao bloco europeu chegaram a US$ 12,21 bilhões, alta de 14,8% sobre o mesmo período de 2025.
Os números são do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Em volume, o Brasil embarcou 17,74 milhões de toneladas de produtos agropecuários para os 27 países da União Europeia, 8,1% a mais do que um ano antes.
Carne mais que dobrou
O maior salto entre os grandes segmentos foi o das carnes. As exportações cresceram 103,5% em valor e 170% em volume: passaram de 101 mil para 272 mil toneladas em cinco meses.
O complexo soja, que reúne grão, farelo e óleo, segue como o principal item da pauta. As vendas à Europa foram de US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões, aumento de 34,2%. Só a soja em grão subiu 49% em valor; o farelo, 22,5%.
Outros produtos tiveram variações ainda maiores, mas a partir de bases pequenas. O mel avançou 367%, o abacate 421% e o óleo de milho bruto 266%. O café torrado quase dobrou, com alta de 91,6% em valor.
Tarifas caem aos poucos
Desde 1º de maio, o acordo reduz tarifas de importação para parte dos produtos brasileiros. Café torrado, café solúvel e abacate já têm desconto, com eliminação total do imposto prevista para 2030. Carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, milho e sorgo também têm condições de acesso previstas no tratado, algumas por meio de cotas.
“O Brasil demonstra, mais uma vez, que é capaz de competir globalmente não apenas pelo volume que produz, mas, sobretudo, pela qualidade, pela segurança e pelos elevados padrões que consegue atender”, disse o ministro da Agricultura, André de Paula.
O que isso significa por aqui
Soja, milho e pecuária de corte estão entre as principais atividades de Ituiutaba e das cidades vizinhas. Mais demanda externa pode ajudar a sustentar os preços pagos ao produtor, mas o efeito no bolso depende também do câmbio e das exigências sanitárias e ambientais do mercado europeu.
No fim de semana, o Microfone Aberto mostrou como a alta do dólar após a eleição mexe com as contas do agro. Um estudo da UFV também apontou que a soja sem controle de pragas pode perder mais da metade da produtividade.




