Estudantes de medicina que entraram na faculdade a partir de 19 de junho de 2026 vão precisar passar pelo Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o Enamed, para poder exercer a profissão. A lei que torna o exame obrigatório foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (6).
A data de corte é a da publicação da medida provisória que deu origem à lei. Quem já estava matriculado antes disso continua nas regras antigas, assim como os médicos que já têm diploma reconhecido.
Três provas ao longo do curso
O Enamed não será uma prova única no fim da graduação. Ele será aplicado no segundo, no quarto e no sexto ano do curso. A ideia, segundo o governo, é acompanhar a evolução de cada aluno, identificar dificuldades de aprendizagem e medir a qualidade das faculdades.
O exame será feito pelo Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Medicina. A lei também prevê medidas de supervisão para cursos com resultado ruim, que podem chegar à redução de vagas e à suspensão do vestibular.
“Quanto mais qualificado for o nosso médico, mais garantia a gente tem de que nós vamos viver mais”, disse Lula na cerimônia. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chamou o Enamed de “teste de progresso” e afirmou que os efeitos completos devem aparecer em cerca de dez anos.
O que muda em Ituiutaba
Ituiutaba tem curso de medicina na Uniube, que nesta semana abriu 20 vagas para transferência de estudantes de outras faculdades. As turmas que ingressaram a partir do segundo semestre de 2026 já entram na nova regra e terão de fazer as três etapas do exame.
Para a faculdade, o resultado dos alunos passa a pesar na avaliação do curso pelo MEC. Para o paciente, a promessa é ter médicos com formação prática mais bem acompanhada.
A professora Ludhmila Hajjar, da Faculdade de Medicina da USP, disse na cerimônia que tem recebido médicos já formados “sem ter nunca atendido uma parada cardíaca”. Ela defendeu que o aluno não seja tratado como culpado. “O aluno muitas vezes é a principal vítima”, afirmou.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que é médico, lembrou que muitas faculdades foram abertas sem hospital adequado para a prática dos estudantes.




