Trabalhadores de Minas Gerais registraram 345 denúncias de assédio eleitoral nos três primeiros dias do canal aberto pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) depois do segundo turno. O estado só fica atrás de São Paulo, com 1.325 queixas, e do Rio de Janeiro, com 354.
No país, o canal, que começou a funcionar na quarta-feira (28), recebeu cerca de 4,3 mil denúncias até o fim da semana. O Sudeste concentra quase metade dos casos (48,5%). Paraná, com 268, e Santa Catarina, com 259, completam a lista dos cinco estados com mais registros.
Segundo o ministério, as denúncias já estão sendo apuradas.
O que é assédio eleitoral
A prática ocorre quando o patrão ou um chefe pressiona o empregado a votar, ou a não votar, em determinado candidato. Depois da eleição, demitir alguém por causa da escolha política também entra nessa conta.
Se o assédio for comprovado, o empregador pode ser obrigado a readmitir o trabalhador e a pagar indenização por danos morais. As denúncias são sigilosas e encaminhadas aos órgãos responsáveis.
MPT processa a Meta
Na quinta-feira (29), o Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação contra a Meta, dona do Facebook, do Instagram e do Threads. O órgão pede que a empresa retire do ar, em até 24 horas, publicações que orientam empresários a vigiar as redes dos funcionários, descobrir em quem votaram e demitir quem tiver feito escolha diferente.
A ação, assinada por sete procuradores, também pede indenização de R$ 50 milhões por danos morais coletivos. De acordo com o MPT, quatro posts de um único perfil, com 3,8 milhões de seguidores, passaram de 2 milhões de curtidas. “Outras publicações expõem pessoas à ridicularização, com nome e imagem, ou comemoram demissões”, afirmou o órgão.
A primeira audiência foi marcada para 29 de março de 2027, na 77ª Vara do Trabalho de São Paulo. Procurada, a Meta informou que não iria comentar.
Como denunciar
Quem sofreu pressão ou foi demitido por causa do voto pode registrar a queixa no site assedioeleitoral.trabalho.gov.br, do MTE, ou na página mpt.mp.br/assedio-eleitoral, do Ministério Público do Trabalho. O Microfone Aberto já mostrou o passo a passo para denunciar a pressão por voto no trabalho.
Guardar mensagens, áudios e nomes de testemunhas ajuda na apuração. Na região, a relação entre emprego e voto também esteve em debate nesta semana, depois que o prefeito de Canápolis pediu desculpas por áudios sobre contratos de eleitores da oposição.




